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O livro questo es presentes e futuras

Este artigo discute, com base em Roger Chartier e outros pensadores, questões ligadas às novas tecnologias do livro. Considerase o processo presente de “domesticação”, tomando uma expressão de Chartier. A transição entre um modo tradicional e um modo
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  Revista de [a] Mestrando, Universidad Nacional Autónoma de Mexico (Unam), México, e-mail  : ali@alialbarran.com [b] Doutora, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), Minas Gerais  , e-mail  : anadigital@gmail.com  Este artigo discute, com base em Roger Chartier e outros pensadores, questões ligadas às novas tecnologias do livro. Considera- se o processo presente de “domesticação”, tomando uma expressão de Chartier. A transição entre um modo tradicional e um modo novo de produzir livros é a tônica deste trabalho, que apresenta exemplos de experimentação e tentativas de encontrar um “modo digital” de leitura. Palavras-chave : E-book  . Livro. Livro Digital. Domesticação. Based on Roger Chartier and other references, this article discusses the “new” technologies of the book. The "domestication" process is considered, taking an expression of Chartier. The transition from a traditional way to a new way of producing books is the keynote of this work, which presents examples of experimentation and attempts to find a "digital way" of reading. Keywords : E-book. Book. Digital Book. Domestication. Nossa intenção, neste texto, é discutir uma relação muito cara aos estudos da comunicação e de alguns outros campos do conhecimento: a relação entre tecnologias, linguagens, conhecimento  –  e sua circulação  –  e sociedade. É dessa forma que compreendemos, então, o livro, isto é, em um universo que diz respeito a todas essas coisas, para além de ser apenas um objeto central para algumas discussões excessivamente técnicas ou simplistas, nos dias atuais. A discussão que propomos parte da premissa que expomos nas próximas linhas, qual seja: quando temos contato com um livro digital, encontramos, na maioria dos casos, a repre-sentação de um livro impresso na tela, isto é, o arquivo eletrônico que vemos tem a mesma estrutura e o mesmo formato que um livro impresso: retângulos que simulam páginas,  flips   (a possibilidade de folhear), “orelhas” (dobras nas extrem i-dades), um separador ou ponto de leitura, assim como um leiaute típico do livro impresso tal como o conhecemos. Isso tem duas razões de ser: [1] Primeiro, porque as mudanças que fazem parte das revoluções do livro, neste caso, do digital, não avançam na mesma velocidade. De um lado, os avanços tecnológicos acontecem com maior rapidez, isto é, constantemente temos novos dispositivos, novas páginas web  para ler e consultar, além de novos softwares  para  produzir livros digitais e aplicativos relacionados a eles. De outro lado, há as mu-danças culturais, que são mais lentas porque estão relacionadas aos processos por meio dos quais assimilamos novas formas de leitura, consulta e produção de tex-tos. Decorre disso que a representação dos textos na tela exista da única maneira como a conhecemos: o livro impresso. [2] O que dissemos antes nos traz a este ponto porque, precisamente, a re-presentação que fazemos dos textos na tela é parecida com a do impresso por ser a única que conhecemos, isto é, não foram geradas nem as categorias nem as estruturas adequadas para organizar e produzir textos em formatos digitais. Dessa forma, ainda temos capítulos, paginação, simulação do folhear de páginas, notas de rodapé, além de que consultamos esse material do mesmo modo como consul-tamos um livro. Vamos começar por algo tão simples quanto definir o que é um livro, o que nos mostrará que nossa concepção e nossos modos de nos relacionarmos com os livros e os termos que dizem respeito a eles somente migraram para o ambiente digital; alguns deles desapareceram, embora surjam outros novos e mais apropria-dos ao ambiente digital. Isso nos ajudará a mostrar que, nesta transição até o mundo digital, ainda estamos em processo de domesticação dos suportes digitais, aos quais estamos aplicando categorias, estruturas e organização do âmbito dos livros impressos, num processo de imitação. Tal como o conhecemos, o objeto livro tem uma materialidade típica, con-forme define, somente a título de exemplo, a Unesco: “Publicação periódica i m-pressa de ao menos 49 páginas, além da capa, publicado no país e colocado à dis- posição do público”. Conforme discutido em Ribeiro (2012), as def  inições de livro, em nossa sociedade, passam por elementos como sua estrutura física (páginas, materiais e formatos) e sua função (memorizar, guardar, registrar). Esse tipo de “identidade”, formulada e consolidada ao longo de séculos, sofre o impacto de inovações, como as que vimos observando há algumas décadas, quando uma tec-nologia nova se apresenta para a produção de conteúdos em materialidades ainda não consolidadas ou sequer conhecidas, como é o caso das telas. De outro lado, Gunther Kress (2006) afirma não ter dúvidas de que as telas  já são o domínio prevalente dos textos; e também não se duvida de que isso só vá aumentar nos próximos anos. Para o autor, as telas serão nosso ambiente de leitu- ra e escrita, mas não apenas isso. Faz parte dessa “escrita” a criação de textos quase obrigatoriamente multissemióticos, isto é, compostos pela orquestração de várias linguagens, especialmente a imagem. O propiciamento disso tem relação  direta com as telas e as tecnologias digitais  –  a convergência de mídias, conforme Jenkins (2008)  – , no entanto, esse movimento parece mais acelerado do que nossa capacidade cultural de absorver novos modos de ler e, antes, de produzir para esses dispositivos. Como já havíamos mencionado sobre nossa capacidade de absorver as mudanças, o que sucede aqui é que compartilhamos o mesmo modelo e código cultural dentro da comunidade de leitores. O que chamamos de “livro”, hoje, então, não se refere apenas ao objeto impresso com que lidamos há séculos, mas a um objeto que ainda não se esta-bil izou em nossas práticas. “Livros”, na atualidade, podem ser imitações ou metáforas; estimamos que sejam, um dia, objetos projetados especificamente para os novos suportes. A representação eletrônica dos livros está ligada à sua materialidade, porque repousa, precisamente, na relação entre o texto  –  aquilo que se lê  –  e o objeto livro. Modificam-se e alteram-se tanto a percepção quan-to o manejo dos livros. A falta de categorias e estruturas próprias do livro digital torna mais eviden-te a razão pela qual aind a os chamamos de “livros”, mas deslocando seu sentido com um adjetivo que os insere em um ambiente inovador, que é o digital, que, assim, parece longe de ter uma materialidade própria. Há, sim, uma metáfora na tela de algo que conhecemos há vários séculos. A palavra “livro” nos remete, irremediavelmente, à estrutura e à organiz a-ção que conhecemos, mesmo quando em uma tela; a inovação proporciona o elemento tecnológico, mas, em certas ocasiões, para o bem, em outras, para o mal. Para o bem no sentido dos aplicativos e do enriquecimento que se pode dar aos novos “livros”; para o mal porque a funcionalidade, aquela ideia de que o livro é um veículo de transmissão de conhecimento e um meio de leitura, fica apagada pela própria tecnologia e pela espetacularização com que se pretende produzir a metáfora ou a imitação do livro. Se a categoria que seguimos utilizando para os materiais em formato digital é a do livro, seria válido chamá- los, no momento, de “textos”, porque evitaríamos a referência ao “livro” e a car ga semântica que isso implica; ao contrário, se nos referirmos a esses materiais como textos eletrônicos, o que faremos seria dar ênfase ao conteúdo e não ao suporte em que ele se encontra. Dessa forma, o ma-terial pode estar em um dispositivo móvel ou em um computador de escritório, mas o que é realmente importante é o próprio texto. Essa, então, será uma mudança que gerará não só essas categorias de que temos falado, mas também gerará personagens com novas habilidades: autores que escrevam e produzam textos exclusivamente para dispositivos alheios às estru-turas e à organização tradicionais; editores que desenvolvam projetos de geração de conteúdo para dispositivos móveis ou para a rede, cobrindo as necessidades de um mercado específico.  Revisemos a história do livro para explicar mais facilmente os dois pon-tos que mencionamos na primeira parte deste trabalho. Ao longo da evolução das configurações textuais, ocorreram duas grandes transformações: a transi-ção do rolo ao códice e a transição do impresso ao digital. Ambas significaram, a seu momento, uma nova natureza tecnológica, estrutura, organização e or-dem dos conteúdos, tanto em relação à leitura quanto ao processo de produ-ção. Obviamente, é necessário mencionar a importância da aparição da prensa de tipos móveis, mas ela implicou uma revolução “técnica” que mudou a forma de produção e reprodução de textos, mas não a estrutura e a organização do conteúdo, que seguiu tendo a mesma configuração que já tinha nos manuscri-tos, da organização do texto até sua aparência e seu agrupamento em cader-nos que formavam um volume. Vejamos isso com mais atenção. Na história do livro existiu um elemento imaterial e outro material. No primeiro, é o texto que se adapta à forma que o apresenta, s eu suporte, seu “contêiner”, mas o texto é sempre o mesmo; o el e-mento material é o suporte, que se encontra em constante mudança. Na transição ao mundo digital, vemos que o elemento imaterial se adapta a qualquer configura-ção do suporte, que tem forma constante, mas podemos dizer que isso acontece por meio de um processo de “imitação”, até que o texto encontre uma forma adequada de se apresentar nos novos suportes. Essa mudança não é inédita na história do livro. A transição do rolo ao códi-ce pode ter levado cerca de 300 anos para acontecer (FISCHER, 2006). Em outro período, a tipografia imitou a letra cursiva até que tipos genuinamente “impressos” pudessem dar aos livros uma aparência que já não lembrasse mais os livros copia-dos a mão. O mesmo ocorre com os novos formatos e dispositivos que têm a apa-rência e a tecnologia do impresso na tela. Dessa maneira, podemos ver, conforme dissemos no primeiro ponto, que a mudança cultural é mais lenta do que a tecno-lógica, razão pela qual decorrerá muito tempo até que se formem as estruturas próprias do meio digital. Primeiramente, se levarmos em conta que a mudança do rolo ao códice to-mou em torno de 300 anos, isso quer dizer que ambos conviveram por esse perío-do e, além disso, que talvez as estruturas de organização e as categorias tenham sido aí geradas. Em nosso caso, o livro e os textos digitais convivem por muito tempo, embora este seja um tema para ser discutido em trabalho posterior. So-mente gostaríamos de assinalar que o desaparecimento e a morte do livro não ocorrerão porque sempre existirão alternativas para a existência de livros impres-
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